domingo, 13 de dezembro de 2015

Me acompanho..






Me acompanho.
Andando, virando esquinas que gosto e desgosto,
Paro e olho. O céu parece agora com cinzas, um azul quase cinza e uma seriedade.
O tempo deseja me convencer que é cruel.
E que me tornarei....
cinzas.
Ando mais um pouco, e dialogo com a luz, com o ponto de ônibus, e com a espera.
A espera me cruza, a toda segundo. Eu tento ser caminho, e ela passa por mim.
Mas ela não me acompanha.
me acompanho então.
São prédios e milhões de prédios,
Luzes, apartamentos, pessoas e melancolia.
Cães. A verdade nos olhos. Eles nos acompanham.
Gente... é tudo solista.
Não há jeito nem meio termo.
Não há sorriso apaixonante o suficiente,
E gente se esvai.
Procura outro. Busca infinita.
Infinito, a gente pensa no infinito logo depois que nasce, ele é todo nosso.
E a gente sorri. Com poucos dentes, mas não há importância.
Me acompanho, não perdendo de mim a criança.
Talvez não seja escolha, nem predestinação.
Lá longe veio o vento, espiritualidade é preciso, então o sinto.
Sinto muito, e vou embora.
Mas o vento vira esquinas e corre praças, e vem no ser.
Sentimento. Perfume de flores, e afetação.
Alma frágil,
Tento o estoicismo que falha.
Mas ainda me acompanho.
Respiro o ar que posso, pisando em pedras.
Queria lavar os pés na água pura, e puxar um ar suficiente para séculos.
Queria eu presenciar todos os sorrisos...
Sei que não é possível.
Me veio aquele dom horrível da seriedade, e até os sorrisos perdi.
A arte da pétala fria nos galhos de ipê, tocando o vidro embaçado de vapor do prédio...
Deixei de olhar. Desviei do caminho.
Alma de gente que não sei por onde anda!
Peço que volte, e estampe em mim o sentimento, mas não a afetação.
Me acompanho.
Sei que ainda procuro minha alma caída em um banco de praça num domingo qualquer.
Minha alma é clichê demais pra que eu não saiba onde esteja.
Me acompanho,  ainda sem o mesmo ar de antes.
Com peito inquietante, e o coração cheio de taquicardia de afetação.
Coração Poetizante.
Logo mais, nos últimos versos, saio do transe.

E me acompanho.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Entre a libélula o vazio e a melancolia

 
(Melancolia, de Constance Marie Charpentier- 1801 )



Uma tarde infeliz quanto qualquer outra de meus dias, que serviu para que eu tomasse internamente todas as decisões, e ao mesmo tempo não tomasse nenhuma.
Uma libélula suja de fuligem, pousa em mim. Fica ali estática, assim como eu havia ficado durante todo o dia. Depois de bem umahora, meche um pouco as asas, e parece voltar a se acomodar, me acompanhando na longa jornada de olhar para o vazio nas últimas pueris esperanças, de encontrar a mim mesma.
Aquela criatura minúscula, extremamente frágil, se parecia naquele momentocomigo, apesar de, da minha parte, sempre ter havido uma certa identificação.
Eu esperava poder dizer que essas tardes, em que me sento só, com as últimas esperanças quase desfalecidas, fossem tardes frias de brisa suave e ás vezes enregelante. Porém são tarde escaldantes, que mal cooperam para meu pensamento.
Nem mesmo a atmosfera me tem sido algo bom.
Nem mesmo me sinto em meu corpo.
Eis que a minha pequena vistante, voa por cima de meu ombro, e se vai, para qualquer lugar melhor que o meu.
Me sinto leve, mas de forma alguma pensem que essa leveza não pesa em mim.
Uma leveza que custa não se sentir mais humano, e já anseiar por ir embora.
   
   Vou enlouquecer. Sinto que enlouqueço a cada dia, forçada a viver e tomar as medidas cabíveis para a vida.
Eis que chega um dia em que não consigo conter o choro, mas muito menos consigo chorar. Não sei até quando as palavras me salvarão pelo ato da escrita, da extrema loucura e silêncio quanto á iminência da morte.
Meu universo confunde-se com o infantil, e meu imaginário já não sabe onde vive.
Minha leveza causa um peso que me impede de subir as montanhas. E até mesmo os pequenos morros. Sinto falta já, da libélula que se fora. Assim como sinto do meu cão, que mal viveu um ano, e me olhava com os olhos tristes de quem sabe o que é a vida, e somente espera o inevitáverl. Mais tarde eu soube, esses olhos, sempre foram os mesmos meus.


domingo, 6 de dezembro de 2015

Eu mesma não sei




O que farei comigo mesma , me é um mistério.
O que faço, todos os dias, sempre é.
Nunca sei como estar, nem ser. Não sei me portar em mim mesma, em mim mesma tampouco estou á vontade.
Tenho muito a resolver comigo, deveria há tempos, ter marcado reunião.
Agora já deve de ser tarde.
Mas de nada adiantaria, se fujo das reuniões.
Troco duas palavras com meu ser, ele diz estar tudo bem, e então nos despedimos.
Mas não está tudo bem. Nem metade está bem.
Mas já não tento me evitar, achando que sou mais. Achando que a voz sairá, e que as relações fluirão.
Nada corre bem, e o rio já tratou de desaguar, todo em mim.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Ato de Contrição II






Quando utilizamos a internet procurando por textos, canções e coisas que emanam boas energias, estamos nos conhecendo, e concentrando todas essas boas energias em nós mesmos.
Tenho lido muito sobre budismo hinduísmo e outras artes de fé.
Hoje encontrei essa oração,  onde realizamos o reconhecimento de nossos fracassos como seres do bem, pedimos perdão e nos preparamos com uma energia de arrependimento e crescimento.


Perdão , Senhor,
Embora bem-intencionado e cheio de boa vontade, nem sempre acertei em meu relacionamento humano…
Eu queria ser flor… e fui espinho.
Queria ser um sorriso… e fui mágoia.
Queria ser luz… e fui trevas.
Queria ser estrela… e fui eclipse.
Queria ser contentamento… e fui tristeza.
Queria ser amigo… e fui adversário.
Queria ser força… e fui fraqueza.
Queria ser o amanhã… e fui o ontem.
Queria ser paz… e fui guerra.
Queria ser vida… e fui morte.
Queria ser sol… e fui escuridão.
Queria ser a calma… e fui o tumulto.
Queria ser carinho… e fui rude.
Queria ser sobrenatural… e fui terreno.
Queria ser lenitivo… e fui flagelo.
Queria ser AMOR… e fui decepção.
Recebe, Senhor,
em tuas mãos de misericórdia e perdão infinito, o gosto amargo e contrito desta oração.

sábado, 12 de setembro de 2015

Da infância




É previsível que um dia a gente diga que está sozinho.
Que as flores não mais abrem, que as bocas não sorriem.
É previsível que os olhos não mais presenciem beleza nos jardins, e no rodopio de uma criança.
É previsível que a imaginação não mais se faça, em algum momento,
Por algum espaço de tempo.
As músicas não mais digam amores.
É previsível que amar seja uma lenda distante.
É tão previsível, que aqui estou, sentindo tudo isso.
Por um curto espaço de tempo que passa,
Até que se relembre com um amigo a infância,
E lembremos que os dias quentes eram marcados por sorrisos ainda mais largos,
As brincadeiras em rua, amarelinha, Pedrinha, pêra, maçã salada mista,
E assim uma pista, um retrato, do passado que ficou.
É possível que lembremos de nós, seres pequeninos, com brinquedos em mãos,
Prontos á uma marcha rumo ao imaginário e felicidade.
Eu me lembro dos chicletes, das histórias que colocavam medo,
Da euforia do pique-esconde.
O refrigerante era o mais doce,
O moço da venda era o mais mágico, imponente, dele emanava luz,
Servia o sorvete e os doces, e o trabalho dos pais, era lembrar de escovar os dentes.
A vida corria, leve, colorida, bonita, pensando me permito sorrisos,
A noite da nostalgia com direito á Mundo da Lua, jogos antigos poder saber, que tudo isso, fui , e sou eu. Para sempre, essas lembranças farão parte, da eterna criança em mim.



domingo, 16 de agosto de 2015

Piscina Azul


Piscina Azul
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A flor caída no chão. Não se tratava de emoção alguma. Eram memórias, relembranças, que voltam a todo instante, em um vai e vem infernal. Vai e vem...
O dia ia, o vento vinha.
De uma direção contrária ao seu gosto. A moça com o rosto em meio a um desgosto visível, mesmo a vários metros de distância. A flor cheirava mais a cinzas, a mil cigarros fumados em um dia só, por mil fumantes, que fumam um por dia.
O cheiro de chuva misturado ao cheiro de cinzas, só poderia ter como resultado uma nostalgia cortante. Assim como as palavras gritantes, da poesia que lia.  Algumas frases lidas com os olhos, outras recitadas em voz alta, talvez por terem mais sentido, talvez menos. Mas era sempre menos, naquela vida. Os dias eram menos. Assim ela pedia, porque os dias que eram mais, e maiores, e cheios de emoções, tinham que acontecer esporadicamente. Para não se acostumar a estar sempre acompanhada.  Na beirada da piscina, colocou seus pés. Pés gelados, como sempre. Como as mãos. Balançava para lá e para cá, a fim de consolá-los, e a si mesma. A ansiedade em forma de gente. A chuva passara, e como sempre ficava o cheiro. Constante, e cheio de lembranças que iam e voltavam á mente, cheias de novos detalhes. O vestido se cortou entre os ramos das várias plantas, medicinais florais, planta. Tudo ali cheirava a planta, e era só sentir.  O cabelo vermelho era detalhe em meio ao verde. Voava um pouco com o vento e parecia se misturar ao sentimento de lembrança, ajudando a rememorar. O céu rapidinho juntou nuvens, carregadas, cinzas, e fortes, que não custaram a despejar água. Naquele instante, água lavava alma, riso levava ao choro, e o céu confundia-se com água.
      A piscina virou céu, com nuvens refletidas no azul. Tudo em sua vida, tornava-se uma piscina azul, sem causa, nem solução. Mergulhar era solução? E não tardou a fazer isso. Sem deixar de observar os pássaros, e pensar, se ela não  era mesmo um.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Noite


Nem todo abraço é abrigo,
Nem todo abrigo é preciso,
Nem toda dor é de natureza,
Nem toda dor se naturaliza em ser.
Ontem, a noite era vazia, mas a dor não chegava a se naturalizar em mim.
Ontem eu te vi.
Não sei quem é, não sei de onde vem,
É estranho, essa identificação maior com o desconhecido.
Ao ir embora, a noite é acolhedora.
A noite sempre acolhe aqueles que vão embora.
Você ia pela calçada, com um ar de desentendimento.
Parecendo a mim.
E então, nos encontramos, em olhar,
Os olhos se demoraram, naquele encontro, ou desencontro, de desconhecidos que se demoram.
Você continuou pela calçada, onde na noite escura de ontem,
O efeito da luz vermelha dos faróis dos carros, batendo em seu corpo esguio, parecia dar efeito poético, àquela rua sem vida.
Ruas com prédios, sempre necessitam assim, de pequenos efeitos poéticos, antinaturais.
Tendem a deixar a arquitetura trabalhada, com algum outro ar.
Diferente aos olhos de quem realmente olha.
Quem para, e olha.
Olha, ontem foi mais uma noite de perca de sentidos,
A não ser por aquele estranho ponto de identificação entre estranhos.
O desconhecido que foi, parecendo terminando uma rotina descompassada.
E quando cheguei, em casa, ouvindo as notas de Debussy,
Tudo fez sentido.
Ontem foi mais uma noite de desconhecer a mim mesma, e logo após reconhecer.
Ontem foi mais uma noite longa,
De mais músicas clássicas.







sexta-feira, 31 de julho de 2015

Onde é que se cabem os seres confusos?



Loucura, já não cabe em mim, eu queria transbordar de amor,
Esqueci, não me preenchi,
Me pus a me preencher, colocando cor por cor,
Formei então uma galáxia de mim mesma,
Que não transborda fora,
Não, não transborda,
Nem que eu me vire do avesso,
Aliás, me sinto o avesso de tudo,
O avesso das relações,
O avesso do cantar coletivo,
O semelhante do cantar triste de um sabiá qualquer,
Se um dia eu colocar para fora toda essa galáxia de pensamentos,
Será um dia incomum,
Será um dia feliz?
Os segundos do dia,
Todos permeados de interrogações,
Eu nasci e cresci, e cresci, e pensei,
Tampouco sei quem sou,
Tampouco sei o que sou,
Eu vou beber desse céu que já não cabe em mim,
Cada vez mais,
Na esperança de que um dia transborde,
Com minha produção muda,
Que não fala em alto falantes,
E como falaria,
Se tampouco tem voz.
Um aperto forte bate no peito,
Aquele mesmo que pensei,
Fosse amor,
Doeu, dói,
Era dor,
E eu já cansada de me doer,
Misticismo é não caber dentro de si mesmo.
E ao mesmo tempo esse não caber,
Não sabe como jorrar para fora, onde caberia.
Onde é que se cabem os seres confusos?
-Flávia Nascimento

quarta-feira, 29 de julho de 2015





A voz não sai,
Embarga!
Força, força,
Desaba,
É muito fácil para aqueles que se identificam,
Minha fala já se venceu por si mesma,
Não justifica!
Nada justifica nesse mundo, se você não interage.
Só o que não interage, é que sabe,
Da angústia que sente, porque não é por falta de querer,
Sinto que estou doente, por não me identificar mais com nada,
O nada me traduz.
Eu não quero rimas, mas me forço a ver luz,
Não vejo, eu caio,
Toda vez que tento.
Não quero lamentar,
Mas não aguento,
A vida tem se tornado somente lamento.
Um constante aviso de "acesso negado" bem estampado na cara,
A cara de um povo que é só tormento.
Minha terapia é feita de solidão,
No teatro, no circo, no  cinema, na canção.
È pura corrosão
Terapia, significa tratamento de doentes,
Mas parece mais significar um evento para esquecimento momentâneo da dor profunda que se sente.
Todas as palavras parecem sem sentido,
Todas!
Não tenho vontade de falar, pois o que digo, parece incomodar,
E incomoda á mim mesma.
Fim.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Me apaixonarei pela bailarina





Me apaixonarei pela bailarina, que tem seus movimentos leves,
Uma leveza que necessita força,
Os braços se jogam no vento, puxando  como correnteza,
Os pés, têm uma necessidade constante de sair do chão,
Assim como os meus
Me apaixonarei pela bailarina, que tem a consciência da brevidade das coisas,
A bailarina não reprime seus desejos mais profundos, e os jogam em movimentos,
O relógio para ela parou a muito tempo, e ela esqueceu como se conta números,
Se perdeu em fazer poesia com o corpo,
Assim como faço com as letras.
A simetria exigida, lhe testará a cada instante,
Mas será bonito ver, quando ela executar os passos livremente,
Sem a pressão de quem quer que seja,
Me apaixonarei pela bailarina, que solta seu coração sofrido nos movimentos que pulsam com o corpo,
Corpo que tem um erro,
Assim como várias vezes eu temi.
Um olhar ao redor, e o vazio do espaço, se torna seu mundo,
Seu vazio de produção de dizeres guardados na profundidade do ser,
A bailarina vive em um minuto, uma vida inteira de sensações,
A pupila que dilata no contato com o outro, pode ser um céu de luzes jamais vistas.
Me apaixonarei pela bailarina, que não sabe seu destino, e segue mesmo assim,
Não a pedirei que me ensine a dançar, porque sei que dança não se ensina.
Ela me mostrará seus passos, os rasos,, que quase não tocam ao chão, e os profundos, que experimentam toda a tensão do solo.
Ela somente me mostrará seus passos, que nada tem a ver com os meus.
Então eu tentarei executar os meus,
A bailarina pouco se importará em me deixar,
Porque sabe que sei fazer monólogos,
E sou dada a solilóquios.
Me apaixonarei por uma bailarina, que nunca antes vi,
E a paixão é assim, um sentimento "infectante que perdura por um momento",
Esse sentimento que constantemente teima em nos infectar.
Em um momento final, a dança terminará,
A respiração pausada, volta ao lugar, mas nunca da mesma forma.
Pode  conter agora,, um ar de aprendizado.
A bailarina e eu flutuamos, por nunca termos sabido dançar,
Porque a dança, era apenas o executar de breves sonhos.
Me apaixonarei por uma bailarina, disse o sonho, encoberto de névoa.
E voltei a dormir,



O silêncio diz muito





Agradeço pela minha insegurança ao falar,
Pela minha timidez totalmente tomada de consciência de si mesma,
Agradeço pelo meu olhar aguçado para o outro, e olhar que aprendo a ter para mim,
Me entristeço nos momentos em que tento jorrar palavras como todo mundo, e então pareço não saber quem sou. E de fato não sabemos quem somos, em momento algum, e refletimos menos nisso no momento em que falamos. Me odeio nos momentos em que tento rebater a fala do outro por pura aparência, pois não é isso que busco.
Sou grata ao silêncio, e grata á minha melancolia que poucos, ou ninguém entende.
Eu busco entendê-la. O meu silêncio pode ser uma trava e um muro profundo, mas agora que tento conhecê-lo mais, percebo que o silêncio diz muito. O meu, e o dos outros.
Agora quero menos ainda, jorrar palavras. Quero menos ainda, ter náuseas.

sábado, 25 de julho de 2015

Debussy, meu ponto de equilíbrio


Escrevo para me livrar de mim, e poder descansar.



"Eu escrevo, e assim me livro de mim e  posso então descansar."

-Clarice Lispector

Toda mulher é linda.

Negra crespa,
Linda.
Batuque, candomblé, axé,
Linda
Gordinha, dobras, curvas e sorrisos,
Ela é Linda,
Índia, pintura no corpo,
Tradição e ritual,
Linda,
Ela não se pinta,
Não quer "fazer " unha,
Nem sonbrancelha,
Linda.
Ela gosta de se pintar,
Linda,
Ela é branca, amarela,
Linda,
Ela é cacheada, lisa,
Linda.
Ela é diversa,
Linda.
Ela é mulher,
Ela tem sua crença,
Linda.
Elas são tantas,
E todas somos lindas,
Lésbicas, bissexuais, trans, heteros,
Lindas,
E vamos constantemente,
Nos conhecendo e respeitando,
Tentando sorrir para todas nós,
Porque todas somos lindas.
É muito dificil tirar,
Tudo que nos contaram,
Desde pequenas,
Nosso sorriso foi ficando triste,
Nossa vida, pequenina,
Sem brilho nenhum,
Porque a gente briga,
Mas tem tanta gente que luta,
E já venceu essas barreiras,
E é algo lindo de acontecer,
Resgatemos esse brilho também.
-Flávia Nascimento

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Recarregue o coração



Não fique sem vida!!!
Recarregue logo seu coração!


Deixe estar

Acordou,
Os olhos ofuscados pela luz natural,
Nenhum pensamento,
Ainda,
Até que o consciente enxerga,
A realidade e o lugar.
Aqueles cinco minutos,
Sentada na cama sem saber o que fazer.
Elevados a um nível mais alto.
Mais longe do que pudesse imaginar.
Merr..
Mer...da!
Você grita, a voz quase não sai.
VIDA,
E agora?
VIDA
respira...
Conta os segundos,
Mas não surgirá um pássaro azul,
Ou de qualquer outra cor,
Que lhe retire dali.
Você se veste de palavras,
Que não saem,
E toma pra si outras preocupações.
Elas DESABAM!
ouvi o barulho.
Você está bem?
Nada é sua culpa.
Deixe estar...
Ou numa forma beatleniana.
Let it be.
Isso foi ridículo, eu sei,
Mas deixe estar.
Os olhos se apertam na esperança do sono.
Nada, tente,
Nada,
O trabalho, vaza,
As ideias escorrem.
Não as deixe escapar.
A vida?
Um caleidoscópio constante em você.
Vejo as multiplas faces
Mas as cores...
Sumiram.
Se pinte, com tinta nova,
Essa velha tinta,
esparramada nos potes da casa,
Não combinam com você.
Vai...
Que eu sei que é tudo assim mesmo.
Vai, porque ja tem muito.
E não lhe falta perna,
A prosseguir
Não vou finalizar com ponto,
Pois do ponto em que está
É necessário sair
-Flávia Nascimento

quinta-feira, 9 de julho de 2015

Nossa vontade constante de anulação do eu. Ontem, hoje e sempre. Então a autocrítica se faz presente




Porque essa raiva do que éramos antes? Porque sempre esse medo? Porque a raiva do passado? Parece que estamos sempre a julgar a nossa suposta evolução do futuro como superior. As pessoas, os amores, o modo de vida, o antigo modo de pensar. Fomos todos eles. Agora não somos melhores. Temos sempre de voltar nossos olhos pra esse processo.
É um processo interminável, e aliás essa vida, é só uma passagem, só um pequeno salto em que tentaremos praticar nosso bem, nosso potencial de caridade, executar mais os sorrisos acolhedores que os gritos arrogantes.
A gente tem de ser capaz de sorrir. Pra quem for. sorriso acolhe.
E o ser humano acolhido, acolhe os outros também.
Esse processo, não sei o que sou nele, o que serei, sei o que fui, e estou atenta a essa construção do agora.
Às vezes a gente se cansa, de tudo isso, deixa de sorrir, nada parece fazer sentido realmente,
Esse construir constante, e reconstruir, e desconstruir algumas coisas, para sobrarem as boas. Parece cansativo, parece não valer á pena, Mas o que vale á pena afinal?
Nesse caminhar, parece que se espiritualizar , olhando no outro o melhor do mundo, parece fazer sentido no processo de aprendizagem. Mas nem sempre conseguimos. A espiritualidade ( o que nada tem a ver com religiões), precisa de um amadurecimento pessoal que estamos sempre a construir.
A pergunta que temos de nos fazer é: quem estou sendo nesse processo todo?
Pode ser que quando se faça essa pergunta, já se esteja cansado demais, de uma vida de julgamentos e pré-noções. Pode ser que os joelhos ja estejam a se partir, e a boca já não se abra para o debate, e a mente já não se atente á relevância. Daí a importância da autocrítica.
Estou a conhecer esta, recentemente. Ela me tem feito sorrir. Autocrítica nos faz sorrir, porque somos nós, atentos em nós mesmos, em sensibilidade e alma. E eu vou escrevendo clichês, até que a autocrítica me dê algo melhor.



segunda-feira, 6 de julho de 2015

Pensando com Foucault




-Como?! Você pensa que eu teria tanta dificuldade e tanto prazer em escrever, que eu me teria obstinado nisso, cabeça baixa, se não preparasse-com as mãos um pouco febris-o labirinto onde me aventurar, deslocar meu propósito, abrir-lhe  subterrâneos, enterrá-lo longe dele mesmo, encontrar-lhe desvios que resumem e deformam seu percurso, onde me perder e aparecer, finalmente, diante de olhos que eu não terei mais que encontrar? Vários, como eu sem dúvida, escrevem para não ter mais um rosto. Não me pergunte quem sou e não me diga para permanecer o mesmo: é uma moral de estado civil; ele rege nossos papéis. Que ela nos deixe livres quando se trata de escrever.



-Michel Foucault, Arqueologia do Saber

domingo, 5 de julho de 2015

O dia em que me encontrei com a existência




E então me veio a existência
Assim mesmo, sedenta, olhos brilhantes,
Questionadora,
O que queres da vida afinal? 
Os sonhos não cabem aqui.
Os sonhos não cabem, não servem,
Não vestem seu tamanho.
Não lhe calçam bem.
Os sonhos precisam ser doados minha querida.
E eu ali, tapando bem os ouvidos, 
Queria cair no sono, nos sonhos,
Entrar com a mente nos esquecimentos eternos,
Queria sonhar com a arquitetura que tanto sonhara,
A arte, as cores, a vida dos poréns.
Mas assim que os olhos se fechavam, a deusa existência,
(Que de fato existia!) estava ali na minha frente,
Pronta a discutir a relação.
Pronta a entrar em debate.
Mas eu já sem reação, corpo mole,
Fingi que dormia, fingi que estava doente,
Assim mesmo, feito criança,
Falei da minha febre pelas coisas imediatas,
Eu não conseguia trabalhar bem.
Falei do meu signo.
Será que meu ascendente é mais forte?
Diga-me existência!!!
Falta-me a comunicação! falta-me!
Mas a deusa já não me ouvia,
Ela vertia lágrimas.
(imagine só!) 
-Veja só o que fizeste comigo!!!
eu era tão linda, tão jovem!
acabaste com o meu existir!
Nesse momento, campo de flores se desfez,
As luzes da cidade se acenderam.
E os vizinhos reclamaram,
de minha discussão ás três da madrugada,
com a existência.
 Ela saiu correndo, deixou todas as contas a pagar.
As contas das ações impensadas,
Dos sentimentos não ditos.
Da carreira procastinada.
O que restou foi seu vestido,
Vermelho, 
brega e clichê. Ateei  fogo,
Dancei tango,
E fui dormir.
Foi o meu sono mais leve.

Ouvindo os ecos




É preciso ouvir, os ecos dentro do ser. 
Mesmo que pequeninos, nossos gritos lutam para se libertarem, saírem da teia complicada, forjada por nossas mãos durante os anos.
A autocrítica, deve ser feita com a maior das paciências. 
Deve-se observar as cores, a respiração, os anseios. O vapor que sai das narinas. O vapor que sai da boca, e das palavras. O teor das palavras. 
Deve-se observar também os signos. Os ares que se almeja. A montanha que se sobre, o sermão que o peito prega á si mesmo.  
É preciso desconhecer o que se conhece, conhecendo-se de novo.  Isso significará tirar os pedágios de si. Aqueles que custam na alma , e pesam no corpo.  Porque a passagem e a transgressão de si mesmo têm de ser livres. 
Eco é esse conhecer sem regras, livremente, informar, não ligar para a poeira das velhas páginas, desempoeirar os livros guardados e redescobrir pequenos e grandes tesouros. 
Eco é suspiro, toque, experiência, ouvir, assobio, grito, arrepio, passar o medo, questioná-lo e entendê-lo. Porque afinal, os medos são donos dos maiores ecos escondidos.

 Eco é transpiração constante, momento sadio. Eco é tão bom, que deve ter gosto de vinho. 
De chá geladinho, Chá mate com limão.
Ninguém descobre só de olhar quem presta atenção nos seus ecos. Pode ser que tenha um brilho diferente no olhar. A tal pessoa. 
E quando a gente não tem assim, muita escrita, nem muita palavra, os ecos estão todos em combustão,
Assim mesmo, dentro da gente, saem em forma de emoção. Que a gente mal sente sair.
Mas só que quem presta atenção nessas coisas, deve de ser sensível.
Daquelas pessoas com quem se cruza na rua, se esbarra,e o que há é uma reciprocidade de sorrisos.
É, quem presta atenção nos seus ecos, há de ser assim mesmo, piegas.
Quem ecoa, é eternamente piegas. Quem ecoa vive olhando o céu, as árvores, os pássaros.
Quem ecoa não sabe lidar muito bem com essas distrações, essas atrações naturais.



" A verdadeira educação consiste em pôr a descoberto ou                                                              
        fazer atualizar o melhor de uma pessoa,
        Que livro melhor que o livro da humanidade?"
                 -Mahatma Gandhi