domingo, 13 de dezembro de 2015

Me acompanho..






Me acompanho.
Andando, virando esquinas que gosto e desgosto,
Paro e olho. O céu parece agora com cinzas, um azul quase cinza e uma seriedade.
O tempo deseja me convencer que é cruel.
E que me tornarei....
cinzas.
Ando mais um pouco, e dialogo com a luz, com o ponto de ônibus, e com a espera.
A espera me cruza, a toda segundo. Eu tento ser caminho, e ela passa por mim.
Mas ela não me acompanha.
me acompanho então.
São prédios e milhões de prédios,
Luzes, apartamentos, pessoas e melancolia.
Cães. A verdade nos olhos. Eles nos acompanham.
Gente... é tudo solista.
Não há jeito nem meio termo.
Não há sorriso apaixonante o suficiente,
E gente se esvai.
Procura outro. Busca infinita.
Infinito, a gente pensa no infinito logo depois que nasce, ele é todo nosso.
E a gente sorri. Com poucos dentes, mas não há importância.
Me acompanho, não perdendo de mim a criança.
Talvez não seja escolha, nem predestinação.
Lá longe veio o vento, espiritualidade é preciso, então o sinto.
Sinto muito, e vou embora.
Mas o vento vira esquinas e corre praças, e vem no ser.
Sentimento. Perfume de flores, e afetação.
Alma frágil,
Tento o estoicismo que falha.
Mas ainda me acompanho.
Respiro o ar que posso, pisando em pedras.
Queria lavar os pés na água pura, e puxar um ar suficiente para séculos.
Queria eu presenciar todos os sorrisos...
Sei que não é possível.
Me veio aquele dom horrível da seriedade, e até os sorrisos perdi.
A arte da pétala fria nos galhos de ipê, tocando o vidro embaçado de vapor do prédio...
Deixei de olhar. Desviei do caminho.
Alma de gente que não sei por onde anda!
Peço que volte, e estampe em mim o sentimento, mas não a afetação.
Me acompanho.
Sei que ainda procuro minha alma caída em um banco de praça num domingo qualquer.
Minha alma é clichê demais pra que eu não saiba onde esteja.
Me acompanho,  ainda sem o mesmo ar de antes.
Com peito inquietante, e o coração cheio de taquicardia de afetação.
Coração Poetizante.
Logo mais, nos últimos versos, saio do transe.

E me acompanho.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Entre a libélula o vazio e a melancolia

 
(Melancolia, de Constance Marie Charpentier- 1801 )



Uma tarde infeliz quanto qualquer outra de meus dias, que serviu para que eu tomasse internamente todas as decisões, e ao mesmo tempo não tomasse nenhuma.
Uma libélula suja de fuligem, pousa em mim. Fica ali estática, assim como eu havia ficado durante todo o dia. Depois de bem umahora, meche um pouco as asas, e parece voltar a se acomodar, me acompanhando na longa jornada de olhar para o vazio nas últimas pueris esperanças, de encontrar a mim mesma.
Aquela criatura minúscula, extremamente frágil, se parecia naquele momentocomigo, apesar de, da minha parte, sempre ter havido uma certa identificação.
Eu esperava poder dizer que essas tardes, em que me sento só, com as últimas esperanças quase desfalecidas, fossem tardes frias de brisa suave e ás vezes enregelante. Porém são tarde escaldantes, que mal cooperam para meu pensamento.
Nem mesmo a atmosfera me tem sido algo bom.
Nem mesmo me sinto em meu corpo.
Eis que a minha pequena vistante, voa por cima de meu ombro, e se vai, para qualquer lugar melhor que o meu.
Me sinto leve, mas de forma alguma pensem que essa leveza não pesa em mim.
Uma leveza que custa não se sentir mais humano, e já anseiar por ir embora.
   
   Vou enlouquecer. Sinto que enlouqueço a cada dia, forçada a viver e tomar as medidas cabíveis para a vida.
Eis que chega um dia em que não consigo conter o choro, mas muito menos consigo chorar. Não sei até quando as palavras me salvarão pelo ato da escrita, da extrema loucura e silêncio quanto á iminência da morte.
Meu universo confunde-se com o infantil, e meu imaginário já não sabe onde vive.
Minha leveza causa um peso que me impede de subir as montanhas. E até mesmo os pequenos morros. Sinto falta já, da libélula que se fora. Assim como sinto do meu cão, que mal viveu um ano, e me olhava com os olhos tristes de quem sabe o que é a vida, e somente espera o inevitáverl. Mais tarde eu soube, esses olhos, sempre foram os mesmos meus.


domingo, 6 de dezembro de 2015

Eu mesma não sei




O que farei comigo mesma , me é um mistério.
O que faço, todos os dias, sempre é.
Nunca sei como estar, nem ser. Não sei me portar em mim mesma, em mim mesma tampouco estou á vontade.
Tenho muito a resolver comigo, deveria há tempos, ter marcado reunião.
Agora já deve de ser tarde.
Mas de nada adiantaria, se fujo das reuniões.
Troco duas palavras com meu ser, ele diz estar tudo bem, e então nos despedimos.
Mas não está tudo bem. Nem metade está bem.
Mas já não tento me evitar, achando que sou mais. Achando que a voz sairá, e que as relações fluirão.
Nada corre bem, e o rio já tratou de desaguar, todo em mim.