Piscina Azul
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A flor caída
no chão. Não se tratava de emoção alguma. Eram memórias, relembranças, que
voltam a todo instante, em um vai e vem infernal. Vai e vem...
O dia ia, o
vento vinha.
De uma direção
contrária ao seu gosto. A moça com o rosto em meio a um desgosto visível, mesmo
a vários metros de distância. A flor cheirava mais a cinzas, a mil cigarros
fumados em um dia só, por mil fumantes, que fumam um por dia.
O cheiro de
chuva misturado ao cheiro de cinzas, só poderia ter como resultado uma
nostalgia cortante. Assim como as palavras gritantes, da poesia que lia. Algumas frases lidas com os olhos, outras
recitadas em voz alta, talvez por terem mais sentido, talvez menos. Mas era
sempre menos, naquela vida. Os dias eram menos. Assim ela pedia, porque os dias
que eram mais, e maiores, e cheios de emoções, tinham que acontecer
esporadicamente. Para não se acostumar a estar sempre acompanhada. Na beirada da piscina, colocou seus pés. Pés
gelados, como sempre. Como as mãos. Balançava para lá e para cá, a fim de
consolá-los, e a si mesma. A ansiedade em forma de gente. A chuva passara, e
como sempre ficava o cheiro. Constante, e cheio de lembranças que iam e
voltavam á mente, cheias de novos detalhes. O vestido se cortou entre os ramos
das várias plantas, medicinais florais, planta. Tudo ali cheirava a planta, e
era só sentir. O cabelo vermelho era
detalhe em meio ao verde. Voava um pouco com o vento e parecia se misturar ao
sentimento de lembrança, ajudando a rememorar. O céu rapidinho juntou nuvens,
carregadas, cinzas, e fortes, que não custaram a despejar água. Naquele
instante, água lavava alma, riso levava ao choro, e o céu confundia-se com água.
A piscina virou céu, com nuvens refletidas no azul. Tudo em sua vida,
tornava-se uma piscina azul, sem causa, nem solução. Mergulhar era solução? E
não tardou a fazer isso. Sem deixar de observar os pássaros, e pensar, se ela não
era mesmo um.

