domingo, 5 de julho de 2015

O dia em que me encontrei com a existência




E então me veio a existência
Assim mesmo, sedenta, olhos brilhantes,
Questionadora,
O que queres da vida afinal? 
Os sonhos não cabem aqui.
Os sonhos não cabem, não servem,
Não vestem seu tamanho.
Não lhe calçam bem.
Os sonhos precisam ser doados minha querida.
E eu ali, tapando bem os ouvidos, 
Queria cair no sono, nos sonhos,
Entrar com a mente nos esquecimentos eternos,
Queria sonhar com a arquitetura que tanto sonhara,
A arte, as cores, a vida dos poréns.
Mas assim que os olhos se fechavam, a deusa existência,
(Que de fato existia!) estava ali na minha frente,
Pronta a discutir a relação.
Pronta a entrar em debate.
Mas eu já sem reação, corpo mole,
Fingi que dormia, fingi que estava doente,
Assim mesmo, feito criança,
Falei da minha febre pelas coisas imediatas,
Eu não conseguia trabalhar bem.
Falei do meu signo.
Será que meu ascendente é mais forte?
Diga-me existência!!!
Falta-me a comunicação! falta-me!
Mas a deusa já não me ouvia,
Ela vertia lágrimas.
(imagine só!) 
-Veja só o que fizeste comigo!!!
eu era tão linda, tão jovem!
acabaste com o meu existir!
Nesse momento, campo de flores se desfez,
As luzes da cidade se acenderam.
E os vizinhos reclamaram,
de minha discussão ás três da madrugada,
com a existência.
 Ela saiu correndo, deixou todas as contas a pagar.
As contas das ações impensadas,
Dos sentimentos não ditos.
Da carreira procastinada.
O que restou foi seu vestido,
Vermelho, 
brega e clichê. Ateei  fogo,
Dancei tango,
E fui dormir.
Foi o meu sono mais leve.

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