(Melancolia, de Constance Marie Charpentier- 1801 )
Uma tarde infeliz quanto qualquer outra de meus dias, que
serviu para que eu tomasse internamente todas as decisões, e ao mesmo tempo não
tomasse nenhuma.
Uma libélula suja de fuligem, pousa em mim. Fica ali estática,
assim como eu havia ficado durante todo o dia. Depois de bem umahora, meche um
pouco as asas, e parece voltar a se acomodar, me acompanhando na longa jornada
de olhar para o vazio nas últimas pueris esperanças, de encontrar a mim mesma.
Aquela criatura minúscula, extremamente frágil, se parecia
naquele momentocomigo, apesar de, da minha parte, sempre ter havido uma certa
identificação.
Eu esperava poder dizer que essas tardes, em que me sento só,
com as últimas esperanças quase desfalecidas, fossem tardes frias de brisa
suave e ás vezes enregelante. Porém são tarde escaldantes, que mal cooperam
para meu pensamento.
Nem mesmo a atmosfera me tem sido algo bom.
Nem mesmo me sinto em meu corpo.
Eis que a minha pequena vistante, voa por cima de meu ombro,
e se vai, para qualquer lugar melhor que o meu.
Me sinto leve, mas de forma alguma pensem que essa leveza não
pesa em mim.
Uma leveza que custa não se sentir mais humano, e já anseiar
por ir embora.
Vou enlouquecer. Sinto que enlouqueço a cada
dia, forçada a viver e tomar as medidas cabíveis para a vida.
Eis que chega um dia em que não
consigo conter o choro, mas muito menos consigo chorar. Não sei até quando as
palavras me salvarão pelo ato da escrita, da extrema loucura e silêncio quanto á
iminência da morte.
Meu universo confunde-se com o infantil,
e meu imaginário já não sabe onde vive.
Minha leveza causa um peso que me
impede de subir as montanhas. E até mesmo os pequenos morros. Sinto falta já, da
libélula que se fora. Assim como sinto do meu cão, que mal viveu um ano, e me olhava
com os olhos tristes de quem sabe o que é a vida, e somente espera o inevitáverl.
Mais tarde eu soube, esses olhos, sempre foram os mesmos meus.

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