quinta-feira, 7 de abril de 2016

Um conto de uma noite confusa





O áudio de silêncio-

Carregando...
O tempo de Alberto carregava na esquina, enquanto decidia se compraria um saquinho de batatas sabor queijo ou requeijão. Não parecia assim, uma dúvida tão cruel, contanto que ele não fosse um homem extremamente ansioso, daqueles que franzem a testa em cinco semelhantes linhas.
O tempo de Alberto carregava na fila. Enquanto pensava que seria melhor que inventassem uma batata sabor chocolate.
Uma daquelas coisas improváveis que dá certo.
Meia noite Alberto, meia noite. Não demora muito e dão cinco da manhã.
Alberto ainda para na farmácia, e compra aspirinas, para a dor de cabeça terrível devido ao trabalho cansativo de testador de sabores.
De que? De batatas.
Mas... o que...? Não , não se engane, esse pacote de batatas que comprava era de outra marca senão a de qual era contratado.  Afinal, precisava avaliar a concorrência.
Mas cá entre nós. Alberto já tinha a língua ressecada, as papilas gustativas arruinadas, de tanto testar sabor de batata.
Duas da manhã alberto. E ainda quer uma cerveja.
E ainda pensa, se aquele vizinho do lado, não teria uma, e algo mais.
Alberto, três da manhã.
E volta para casa.
Apartamento.
Último andar.
Alguém no banho. Barulho de água escorrendo.
Alberto toma as aspirinas. Paranoia demais.
Alguém no banho.
O vizinho do lado!
Paranóia, paranoia! Mais aspirinas.
Coloca os headfones...
Afinal tinha aquela música nova, liberada ás 00:00, por aquela cantora nova,
Aquela que cantava a dor da ilusão,
E era como de repente ser transportado para o quarto do vizinho do lado.
Não alberto, paranoia demais.
Aspirina!
Acabou.
Coloca os headfones, enfim a música.
Antes lembra de ouvir o som do chuveiro. O vizinho no banho,
A árvore na rua, o latido do cachorro do vizinho, a voz irritante da caixa da farmácia.
O som de um carro estacionando no térreo.
Paranóia alberto. Vá plantar batatas,
Vá testar batatas!
Alberto ouvia todos os sons.
E não ouvia nada.
E ouvia o coração batendo.
E não ouvia,
E ouvia a voz do vizinho?
Posso dormir aqui?
Som, de silêncio...
Paranóia alberto!
E lá existe som de silêncio.
“ É como tocar o que não se sente”
Coloca os headfones.
E enfim tem aquela música.
Sono.

O áudio de silêncio.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Toca vinis



Vou lhe comprar um toca vinis, se você passar.
Vou pintar vários quadros, e lhe enfeita o quarto, como sempre quis.
Menina, já mudou o cabelo,
Mas não quis ser atriz....
De palco de academia.
A universidade lhe deu sua primeira morte de si mesma.
Que tristeza menina.
Mas se você passar, vou lhe comprar um toca vinis.

Onde é que vai ouvir a poesia?





Onde é que vai ouvir a poesia,
Se não te passa pelos olhos, mais que pessoas..?
Simples pessoas, isso sim.
Onde é que vai ouvir a poesia se não sorrir..
Onde ouvirá a poesia? não adianta ler.
Poesia existe assim, solta no vento, e nem quer ser agarrada para sempre.
Onde é que vai ouvir a poesia, amarrada em concepções...?
Onde???!!!
Não vai ouvir.
a poesia é grave, mas leve.
Não vai ouvir se não sentir.
Onde é que vai ouvir...
Não há como sintonizar.
Onde é que vai ouvir, se o pedestre é só mais um pedestre.
Ele não tem coragem, não se deixa ouvir.
Não tem?
Tem sim.
Onde é que vai ouvir, se o seu som é outro...
Sinto dizer,
Não vai ouvir.